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	<title>Perspectivas Abertas &#187; Política</title>
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	<description>Servem-se pequenas e saudáveis doses de ódio e ciência com aroma a baunilha.</description>
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		<title>Concorda com a revisão do estatuto do aluno?</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 22:04:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Guerreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
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		<description><![CDATA[Como é costume no início destes posts apimentados de ódio e de ideologia política incorrecta gosto de referir a minha musa inspiradora, sim musa, uma pequena homenagem ao Camões, que percebi que não se limitou a fazer uma exaltação aos feitos portugueses, mas incluiu algumas críticas bem construtivas, e por isso já é um gajo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como é costume no início destes posts apimentados de ódio e de ideologia política incorrecta gosto de referir a minha musa inspiradora, sim musa, uma pequena homenagem ao Camões, que percebi que não se limitou a fazer uma exaltação aos feitos portugueses, mas incluiu algumas críticas bem construtivas, e por isso já é um gajo fixe. E esperem um post com alguma dose de eufemismos e um cuidado de escrita acima do que me é comum, porque não escrevo há algum tempo e por isso desafinei, por um lado para melhor por outro só para estragar.</p>
<p>A dita musa desta vez foi a rubrica, chamemos-lhe assim, intitulada de <em>Conversas de rua</em> do jornal O <em>Comércio de Guimarães</em>. A pergunta feita as pessoas, neste caso, supostamente todos alunos do secundário, foi a que deixei no título do post. Antes de mais, não é costume eu sequer pegar neste jornal, e a única coisa que sou capaz de ver é realmente esta rubrica, a parte curiosa é que quase sempre discordo com a opinião que é dada pelas cinco pessoas &#8220;entrevistadas&#8221;, na verdade costuma ser uma opinião repetida cinco vezes. Que das duas uma ou é culpa do jornal ou da originalidade da mentalidade dos transeuntes. Para não decepcionar discordo novamente.</p>
<p>Andei a ver pela Internet, e pelos vistos este tema vem a propósito de um pedido dos professores para uma revisão urgente do estatuto do aluno, pelo menos é o que diz o <a href="http://www.publico.pt/Educação/professores-pedem-revisao-urgente-do-estatuto-do-aluno_1420730">Jornal do Belmiro</a>. Antes que levem a mal, não acho o Público assim tão mau, e surpreendentemente até simpatizo com o senhor Belmiro de Azevedo. Adiante, pelos vistos os professores estão tão queimados que já se vêem a rasca para aguentar os alunos, e o objectivo é retirar alguns dos privilégios destes e tentar encostá-los a parede, por outras palavras impor ordem com a lei. Mas aqui para nós desconfio que não é assim que se vai lá. Por outro lado, compreendo o que estão a tentar fazer.</p>
<p>A parte super gira disto tudo vem aí. Lembram-se dos cinco magníficos entrevistados? Pois bem, todos eles concordam com a revisão do estatuto. O problema é que concordam pelas razões erradas. Deixem-me explicar, os professores querem apertar os alunos porque acham que estes se andam a baldar demasiado e ficar muito desobedientes, nada que seja mentira diga-se de passagem. Os alunos querem a revisão do estatuto para que fiquem ainda mais livres e façam o mínimo possível, o que não fica muito longe do que já fazem.</p>
<p>Existe aqui um problema de interpretação, algo extremamente comum, e que nem me admira nada. E claro, estamos a falar do sistema de ensino, aquele grande mal que está sempre mal e que nunca deixa de estar mal. E que faça-se o que se fizer funciona mal, e nunca irá funcionar bem, porque toda a gente acha que funciona mal mas ninguém acha coisa nenhuma porque ninguém diz porque acha que funciona mal. Simplesmente acham que funciona mal, e pronto. Mas digam-lá qual é o grande problema. Sim, admito que não é perfeito, mas lá vai funcionando, e sejamos honestos para estragar mais vale estar quietos, o que importa é funcionar, certo? Obviamente, que convém com o tempo modernizar a coisa e adicionar-lhe umas quantas modificações.</p>
<p>A opinião geral destes alunos, e que não é propriamente generalizada por mim, é a seguinte:</p>
<blockquote><p>Acho muito bem que seja revisto porque aquilo que temos agora é uma valente trampa. Se um gajo faz desporto chega cansado a casa e não pode estudar, e sim eu sei que faço desporto porque quero, mas deviam facilitar. Mesmo aqueles que não fazem desporto não têm tempo para estudar, ainda pior os que fazem desporto. Os testes intermédios só servem para lixar a vida a um gajo, podem fazer-nos perder o ano. Os exames nacionais também são maus porque podem fazer-nos perder o ano. Estudar para estes é um valor extra acrescido a vida que temos, e que já é muito difícil estudar. Não é nada bom nem se deve fazer uma avaliação de tudo num dado momento, é muito mau. A gente quase nem pode dar faltas por estar doente, é injusto. As aulas de substituição também são más.</p></blockquote>
<p>É o típico puxa a sardinha para a minha brasa antes que eu morra a fome, não que eu fosse realmente morrer a fome porque posso pedir dinheiro ao paizinho para ir comer um <em>BigMac</em>, e depois para a sobremesa ver o <em>Twilight</em> em 3D.</p>
<p>Primeiro, estes são pelo que topo pelas idades (entre 15 e 19 anos) alunos do secundário, e meus amigos, vem aí uma super hiper mega novidade: Vocês já não são obrigados a ir para a escola! Não gostam? Há uma solução excelente, sabem qual é? Trabalhar! Sim, claro que me podem dizer que com a crise e tal não há trabalho, e até têm alguma razão, mas penso eu, e só eu, que se calhar se os pais e filhos juntassem o dinheiro que os catraios  vão gastar na escola em livros e merdas ao longo do ano, chegava para irem trabalhar para o estrangeiro.</p>
<p>Obviamente ninguém quer ir trabalhar, é difícil, suja as mãos e um gajo vem cansado. Mas porra, há o ordenado que sabe tão bem. Mas não queremos ser trolhas ou trabalhar num café, queremos ser todos engenheiros e trabalhar num escritório com computador com acesso <em>premium</em> ao <em>porntube</em> e a salas de <em>chat</em> de alta classe, e porque não a sites de apostas, como o <em>poker</em>. Isso é que é vida!</p>
<p>A mesma ordem de ideias aplica-se aos pais, que obviamente querem o melhor para os filhos e alguns só descansam quando os vêm a ser médicos, mesmo que só o consigam fazer aos cinquenta. O problema é que o sistema não pode absorver isto, simplesmente não pode, porque não foi feito para isso e como é óbvio nunca o fará, claro que existirá sempre uma taxa de desemprego, mas com o rumo das coisas por ambas as partes, isto não me parece que vá dar grande resultado.</p>
<p>Avante, e eis que temos o imbatível argumento do desporto. Olhem lá e é aqui que concordamos, não são obrigados a fazer desporto, certo? Se isso vos lixa assim tanto a vida, escolham: ou fazem desporto ou engordam a estudar. Não vejo o problema nisto. As escolhas têm de ser feitas para uma via ou por outra, não pode ser do género fico com as duas. Contudo eu sei perfeitamente que isto é um argumento furado e que nem faz sentido nenhum.</p>
<p>Agora quem não faz desporto não tem tempo de estudar, essa é boa, e a pergunta é porquê? Eu sei porquê, porque entre ver os <em>Morangos com Açúcar</em> ou os <em>Ídolos</em> e estudar álgebra a escolha é fácil, não é? Ver televisão, como é óbvio, senão que caralho é que a gente vai falar com os colegas amanhã? Coisas interessantes e úteis? Debates sérios sobre matéria viável? <em>Fuck that shit!</em> Bora mas é falar das telenovelas, mas só daquelas que são <em>In</em>, as outras que a gente vem com a mamã é melhor não se dizer uma palavra, não vá ficar mal na pintura.</p>
<p>Vamos então a questão dos testes intermédios, que por acaso e pasmem-se comigo: São uma boa ideia! Surpreendente um gajo poder dizer tamanha heresia, não é? Mas é verdade, para quem não sabe, os testes intermédios são testes feitos a determinadas disciplinas, como a Matemática, e disciplinas específicas como por exemplo Física e Química ou Biologia e Geologia. Que são feitos em Lisboa pelo Ministério da Educação, baseados no programa que é suposto os alunos saberem, e que deveriam ser feitos em todas as escolas como se fossem um exame nacional, ou seja tudo a mesma hora.</p>
<p>Na realidade este é teoricamente o teste perfeitamente justo, porque toda a gente o faria ao mesmo tempo e como é igual, as oportunidades são iguais para todos. Na realidade isto não acontece, porque algumas escolas optam por não o fazer, sim na realidade é uma opção da escola, por isso vão mas é reclamar a escola. Ou porque os professores não são lá grande coisa e não ensinam bem a matéria. Ou o caso que ninguém quer admitir, que é os alunos não estudarem ou não quererem saber da matéria nas aulas e depois choramingarem por tirarem más notas.</p>
<p>Duvido muito que um teste mau, ou dois ou mesmo três vos faça perder o ano, os professores de hoje são tão moles que não vos lixam a vida a menos que queiram, mas a solução é simples, apliquem-se. Só que claro, isso é trabalhoso, e não vá um gajo estragar-se com o esforço, pode borrar as calças se fizer demasiado, e calças borradas não é nada <em>cool</em>, e é uma das coisas que não se pode mostrar a malta.</p>
<p>Os exames novamente são uma coisa excelente porque permitem manter controlo sobre as escolas, obrigam a que se dê o programa/matéria e como é igual para toda a gente é justo. De outra forma seria fácil uma escola parecer bem por aprovar muitos alunos, mesmo que estes não soubessem porra nenhuma. Os testes intermédios também são bons por causa dos exames nacionais, permitem que se preparem para o exame  que irão fazer, e se habituem ao tipo de prova.</p>
<p>O que estes gajos todos querem é isenção de avaliação, toda a gente tira a nota máxima, vão todos para altos cargos e toda gente fica feliz. Felizmente isto não acontece, existem períodos de avaliação para ver quem é capaz de fazer alguma coisa, ou a diferença entre quem é bom aluno e quem é mau aluno. A avaliação é essencial, não tentem fugir com o cu a seringa ou tapar o Sol com a peneira.</p>
<p>Quase no fim disto, vamos lá a questão das faltas. Primeiro, e honestamente não acho que exista aluno algum que precise de dar tantas faltas quanto isso. Segundo é uma boa maneira para evitarem baldar-se. Quanto a questão da doença, se precisam de ficar assim tantas vezes doentes, existe uma coisa que se dá nas aulas de Biologia que é a Selecção Natural cujo autor é aquele gajo barbudo chamado Darwin, e segundo ele se ficam tanto tempo doentes não são grandes exemplos a seguir na espécie. E se não fossem humanos por esta altura a natureza da selecção já tinham arrumado convosco. Não existe razão nenhum para atrasar as coisas a conta disto, as necessidades da maioria a frente das dos poucos.</p>
<p>Por fim mesmo que seja por doença os testes não irão aparecer assim do nada, os professores, esses bichos tão maus como as cobras, são até capazes de dar umas aulas extra aos alunos para os prepararem para fazer o tal teste. Na verdade esta avaliação é só para ver se andam ao ritmo dos outros. Agora expliquem onde está o problema disto.</p>
<p>Por fim, e excepcionalmente quanto as aulas de substituição até têm alguma razão. Alguma, na parte em que aquilo não serve para fazer nada. Mas já pensaram que talvez não seja para se fazer nada? Deixem-me explicar, em parte os vossos pais gostam que vão para a escola para não vos aturar. E estes ficam muito mais descansados se ficarem dentro de uma sala de aula com um adulto a supervisionar as coisas do que lá fora a asneirar. A este propósito as aulas de substituição são um sucesso&#8230;</p>
<p>Agora vem a parte irónica disto tudo, em que eu faço uma pequena confissão, e desta vez é a seguinte, como aluno sou bastante medíocre. Não tiro grandes notas, mas não culpo o sistema de ensino por isso, não faz sentido, se no básico não se pode criticar porque um gajo não sabe o que diz, no secundário não pode criticar porque além de continuar a não se saber o que se diz, não se é obrigado a lá estar. Mais, apesar de ser irresponsável ao ponto de muito raramente fazer trabalhos de casa, uma analogia quase digna é como ver um unicórnio cor-de-rosa invisível, e nunca entregar papeis a horas. Pasmem-se se vos disser que nunca adormeci, nem perdi um autocarro. Quanto a chegar atrasado, só por raro descuido, e podem-se contar as vezes pelos dedos das mãos de uma pessoa.</p>
<p>Mas este é o típico problema português. E todo o problema de Portugal e dos portugueses tem uma solução, e que todos sabemos qual é. O nome dessa solução é Salazar. Especialmente a educação, até metemos o Hermano Saraiva novamente a Ministro da Educação, toca a aproveitar enquanto há tempo.</p>
<p>Ouvi há dias na rádio que Portugal é dos países mais insatisfeitos com a Democracia. Isto quer dizer dizer que não gostam? Pois bem, então venha daí o Fascismo de volta, acreditem é bom, o tuga só anda bem a levar marretada dos superiores, por isso venha ele. <em>&#8220;No tempo de Salazar é que era</em><em>&#8230;&#8221;</em> ou <em>&#8220;</em><em>O Salazar, digam o que disserem, até era um grande homem.&#8221;</em> são frases típicas do português democraticamente frustrado. O homem até ganhou o título de melhor português de sempre.</p>
<p>O que se quer é que Deus, a Pátria e a Austeridade se concentrem todas numa só pessoa, isso já aconteceu, o Messias de Portugal foi grande António de Oliveira Salazar. E aquele maricas do Marcelo Caetano que o substituiu era um fraco, até era gajo para ser gay. O Salazar é que era homem! Infelizmente teve uma morte horrenda nas mãos daquela maldita cadeira que condenou o destino do país, da moral e dos portugueses. Aproveitando esta desgraça apareceram esses liberais e comunistas de um cabrão que foderam tudo. Está na altura de ir buscar as pás, vamos desenterrar o <em>Salvador da Pátria</em>!</p>
<p>Na realidade não iria adiantar de muito. Salazar morreu a 27 de Julho de 1970. Negro dia para o país de Camões. Contudo não há razões para grandes medos, não temos Salazar mas temos o senhor PNR, o adorado pseudo-nazi-fascista José Pinto Coelho que irá retomar ponto por ponto tudo o que o adorado Salazar deixo para ser feito. Começando por expulsar tudo o que não seja do bom sangue de Afonso Henriques e fazendo mudanças importantíssimas como devolver o nome original de Ponte Salazar, aquela ponte avermelhada que agora tem um nome esquerdista. Tragam tudo de volta, que irão ver o que é bom, no que me toca se o fizerem só peço um bilhete de avião daqui para fora, ou se isto for pedir muito, sejam então umas horitas de antecedência, só o suficiente para pegar nas tralhas e saltar para o lado de lá da fronteira, longe de mim atrasar a retoma de Portugal a sua alta glória fantasiosa.</p>
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		<title>Manuel Pinho e o fundo do poço</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 10:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Guerreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Já andava desconfiado que qualquer dia iríamos chegar ao fundo do poço, era só uma questão de tempo. As evidências eram óbvias: telejornais sensacionalistas, apresentadores opinion makers, futebol que passou de desporto para religião, jogadores de futebol que se transformaram em meninas do Jet Set, o futebol ser considerado como assunto de interesse nacional, necessidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já andava desconfiado que qualquer dia iríamos chegar ao fundo do poço, era só uma questão de tempo. As evidências eram óbvias: telejornais sensacionalistas, apresentadores <em>opinion makers</em>, futebol que passou de desporto para religião, jogadores de futebol que se transformaram em meninas do <em>Jet Set</em>, o futebol ser considerado como assunto de interesse nacional, necessidade de se explorarem bruxos e semelhantes nos telejornais, telejornais com mais de uma hora, repetição de notícias, mais de três espaços noticiosos ao dia, figuras públicas terem perdido o direito a vida privada.</p>
<p>Mas hoje sei que passou os limites, passou os limites quando o já ex-ministro da economia Manuel Pinho demitiu-se por ter feito um gesto indevido na Assembleia da República. Na realidade ele não fez nada disto, limitou-se a levantar as mãos junto da cabeça com o dedo indicador levantado, e que infelizmente isto tem um factor figurativo na nossa sociedade. O meu problema é que esta &#8220;brincadeira&#8221; de Manuel Pinho é irrelevante.</p>
<p>Honestamente não quero saber o que ele fez, não quero saber e ninguém devia querer saber. Isto prova que chegamos ao ponto em que um gajo é demitido, neste caso demite-se por pressões o que é a mesma coisa, e ainda por cima se desculpa por achar que não ia ter uma vida política longa. Pior ainda, demite-se não por incompetência ou capacidade, mas sim por ter feito uma coisa com as mãos.</p>
<p><a href="null"><img class="alignnone" src="http://perspectivas-abertas.org/wp-content/uploads/2009/07/03/manuelpinho.png" alt="" width="600" height="400" /></a></p>
<p>Comparo esta história de Pinho ao afamado <em>BlowJob</em> do Bill Clinton. Porque na realidade não interessa a ninguém e são ambos irrelevantes. No caso do Bill Clinton a única pessoa que podia ficar interessada em saber a história e se chatear com ele era a mulher, e mais ninguém, porque nós, os restantes, não temos nada a ver com a vida dele. Não é por ter ganho uma mamada que o gajo deixa de ser um possível bom presidente, não que ele o tenha sido. Temos de separar o profissionalismo que é o que interessa para o caso, e as coisas que o gajo faz na vida privada, e a única que nos interessa é a via profissional, a menos que faça algo de ilegal a nível pessoal, fechamos a boca, e o melhor para a sanidade de todos é não sabermos porque não interessa.</p>
<p>Manuel Pinho já estivera envolvido em outras peripécias, como é o caso daquele excesso de velocidade que ninguém se lembra. Relevante? Sim, claro que sim, infringiu uma lei. Neste caso, merecia um castigo, e parece-me que o teve, pagou uma multa. Claro, podem dizer que o gajo ganha bem e a multa foi como dar uma grojetazinha ao polícia. Talvez seja verdade, mas sempre passou alguma vergonha, não é todos os dias que um ministro é multado.</p>
<p>Até o Primeiro-ministro José Sócrates esteve envolvido numa brincadeira, quem se lembra do avião que deixava um rasto de fumo negro? Exagerei claro, o que importa é que não foi o único, e o chibo também &#8220;pecou&#8221;, o tratamento foi, salvo erro, igual ao do ex-ministro da economia. Mesmo estas brincadeiras, não são assim tão relevantes, preocupava-me mais se algum dos senhores fosse pedófilo.</p>
<p>A culpa disto tudo é de todos nós, disto e de muitas outras coisas que se passam. Primeiro a culpa é do povo que não se quer instruir ou ter o mínimo de cultura, e passo a lembrar que cultura desportiva não conta. Se em vez de gastarem dinheiro em <em>iPods</em>, <em>iPhones</em> ou outros <em>telelés</em> topo de gama, carrões e televisões de plasma, comprassem um telemóvel mais barato mas que conseguissem meter-lhe um saldo sempre positivo, talvez desse para se comprar pelo menos um livro ao fim de um ano. Se toda a gente lesse um livro por ano, algumas destas merdas acabavam, e os resultados viam-se logo ao fim de um par de semanas. Dou o meu exemplo na matéria, desde o início deste ano (2009) já li <em>Os Maias</em> e <em>O Primo Bazílio</em> do Eça de Queirós, <em>O </em><em>Cérebro de Broca</em> do Carl Sagan, e neste momento estou a ler <em>O Crime do Padre Amaro</em>. Quantos é que já leram desde Janeiro três livros e vão no quarto? Sim eu sei que algumas raras excepções já fizeram mais do que isso, mas esses são profissionais&#8230;</p>
<p>Outro grande problema do povo é que este literalmente não quer saber, além do futebol, a verdadeira religião do povo que é dividida por diferentes seitas, e em Portugal existem três grandes seitas: o Benfica, o Sporting e o F.C. do Porto. Enquanto existem mais uma série de pequenas seitas que ambicionam ser como as três maiores. Se um décimo do interesse dado ao futebol fosse dado a assuntos sérios, como a política, éramos capazes de sair do poço. Mas não, para quê? É mais bonito chamar-se aos políticos de cabrões, gatunos e filhos da puta, do que perceber que eles são resultado da nossa podre sociedade, eles são portugueses como nós, sim eles saíram de famílias portuguesas, e os erros que eles cometem são também nossa culpa.</p>
<p>Claro que a culpa não é exclusiva do povo. Os <em>Mass Media</em> também desempenham um papel de relevo no que toca a enterrar o sistema e a sociedade cá bem no fundo do poço. Desde que vi que os telejornais já levavam mais de uma hora para acabarem, e que repetiam aquilo que já haviam dito antes, e começaram a meter intervalos cheios de publicidade, e os clássicos: <em>Estados Unidos declaram ultimato a Saddam Hussein, dentro de momentos.</em> Eu sabia que isto não podia dar grande coisa. Mas nunca pensei que chegaríamos ao ponto de metade do telejornal ser constituído por futebol, eles chama-lhe desporto, na realidade é futebol, pois em Portugal se forem ao dicionário, verão que Desporto quer literalmente dizer Futebol.</p>
<p>Ainda não satisfeitos ao lixarem-nos, quiseram levar a fasquia ainda mais baixo. Os jornalistas e repórteres começam a não ser capazes de arranjar notícias suficientes e de &#8220;relevo&#8221;, leia-se notícias sensacionalistas que são as únicas que importam, para telejornais com tempo de antena cada vez maior. Quase que aposto que dentro de um par de anos o tempo médio de um telejornal irá ter duas horas, e será transmitido quatro vezes ao dia, com cinco intervalos pelo meio. Deixem-me que vos diga que ninguém consegue engolir tanta informação e publicidade, por isso não o façam.</p>
<p>O telejornal tinha como ideia uma síntese generalista das coisas, só com os assuntos de verdadeiro relevo, sem opiniões, só informação, como devia ser o jornalismo, e resumidamente, e actualmente ainda mais. O telejornal devia ser um pequeno resumo das noticias importantes feito em meia hora, e passado duas vezes ao dia, e quem quisesse ver ou saber mais sobre os resumos que viu, que salte ao site da estação para saber mais. Cada notícia teria o máximo de um minuto para ser apresentada, e se uma estação tivesse um telejornal com mais de 30 minutos exactos pagaria uma multa.</p>
<p>Outra coisa, acabar com os telejornais com dois pivots, isso é uma merda à lá americano que só faz perder tempo, tem de ser um gajo ou uma gaja, e a aviar notícias. Contudo, em parte a culpa é do povo, novamente, que se limita a deixar a televisão ligada a hora do almoço e que não que saber se o que os gajos dizem é verdade ou não, gostam de ouvir as bocarrudas das televisões a dizer que o governo é feito de gatunos, e gostam disso, culpa-se o governo por tudo, mesmo pelos erros que fizemos nas nossas próprias vidas pelas nossas próprias mãos. É mais fácil culpar os outros do que a nossa própria estupidez.</p>
<p>Por outro lado, chegamos ao ponto em que um tipo já não pode dizer as verdades, conhecidas por todos, sem se meter em problemas. Temos o caso do Primeiro-ministro se referir a uma tal estação de televisão com jornalismo travestido, e com toda a razão diga-se, e ser processado pela estação de televisão. É o que digo, se isto não é fundo do poço, não estamos longe, com mais um bocado de esforço enterramo-nos tanto que nunca mais de lá seremos capazes de sair. E claro, da próxima demitam-se ou despeçam com razões mais sérias do que repreensões parvas.</p>
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		<title>A voz de José Manuel Fernandes na Europa</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 15:38:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Guerreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Se não sabem quem é José Manuel Fernandes, juntem-se a lista, se por outro o lado o conhecem como eu, pelo gajo do cartaz, o que não é muito diferente, podem aproveitaresta oportunidade para conhecer o tal, sim, aqui sem ter de ir a mais lado nenhum. Foi-me feito um favor de Spam à antiga, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se não sabem quem é José Manuel Fernandes, juntem-se a lista, se por outro o lado o conhecem como eu, pelo gajo do cartaz, o que não é muito diferente, podem aproveitaresta oportunidade para conhecer o tal, sim, aqui sem ter de ir a mais lado nenhum. Foi-me feito um favor de Spam à antiga, ou seja, como o PSD é ainda orgulhosamente conservador, fez-me o favor de me enviar uma carta, isto é, se podemos chamar a esta coisa de carta. Como já perceberam, trata-se de propaganda ao José Manuel Fernandes. Passo a citar o conteúdo:</p>
<blockquote><p>Caro(a) vimaranense</p>
<p>Por vontade dos eleitores, exerci vários cargos políticos. De todos, destaco o de presidente da Câmara Municipal de Vila Verde. Durante 12 anos, tive como principal preocupação resolver problemas às pessoas e trabalhar pelo desenvolvimento da comunidade. Em consciência, cumpri.</p>
<p>Estou hoje perante a possibilidade de ser eleito para representar o Minho no Parlamento Europeu.</p>
<p>Honro-me de integrar a lista do PSD, liderada pelo Dr. Paulo Rangel. Depois de eleito, serei a voz do Minho na Europa. Cumprirei.</p>
<p>Com o mesmo espírito, a mesma determinação e a mesma humildade, manterei forte a ligação ao conselho de Guimarães e a todas as suas instituições. Cumprirei.</p>
<p>Portugal vive uma situação política e social de grande complexidade face ao constrangimento imposto às famílias e ao bloqueio de toda a actividade económica. As políticas do Governo, ao invés de combaterem a crise, têm contribuído para que esta se aprofunde.</p>
<p>Trabalharei de modo a que os fundos comunitários sejam aproveitados, realmente, para a melhoria dos nossos equipamentos de saúde, para a defesa do ambiente, para o aproveitamento das energias renováveis e para um impulso real à agricultura.</p>
<p>Só eu estou em posição de ser eleito para representar o nosso distrito e a nossa região.</p>
<p>Por isso, pela Nossa Terra, vote no PSD.</p>
<p>Com estima,</p>
<p>José Manuel Fernandes</p></blockquote>
<p>Infelizmente não pude enviar uma cópia da assinatura de José Manuel Fernandes, e é possível que a cópia contenha incorrecções.</p>
<p>Como é costume vou gozar com o nosso amigo José Manuel Fernandes, para ver se da próxima não me envia correio não solicitado, pois é esse o nome que eu lhe dou, seja ele real ou virtual (e-mail), porque quem decide se a porra do correio é solicitado sou eu e não o idiota que o envia. Enfim, vamos mas é a análise do documento de José Manuel Fernandes, sim já perceberam, gosto do nome dele&#8230;</p>
<blockquote><p>Caro(a) vimaranense</p></blockquote>
<p>Então? Qual é a dele? Como é que ele sabe se um gajo é vimaranense? O que se aplica no meu caso. Bem, vamos fazer de conta que ele só escreveu isto para Guimarães, o que não me parece provável.</p>
<blockquote><p>Por vontade dos eleitores, exerci vários cargos políticos. De todos, destaco o de presidente da Câmara Municipal de Vila Verde. Durante 12 anos, tive como principal preocupação resolver problemas às pessoas e trabalhar pelo desenvolvimento da comunidade. Em consciência, cumpri.</p></blockquote>
<p>Traduzindo, exerceu o cargo de presidente da Câmara de uma localidade que nunca ninguém ouviu falar e afinal porque saiu ao fim de 12 anos? Mau serviço? Oposição em força? Hum&#8230; Mais preocupante ainda <em>comunidade</em>? Mau, então, José Manuel Fernandes é comunista ou do PSD? Deixa de falar como um comuna senão ainda de expulsão do partido.</p>
<blockquote><p>Estou hoje perante a possibilidade de ser eleito para representar o Minho no Parlamento Europeu.</p></blockquote>
<p>Hoje não sei, mas lá para o dia das eleições és capaz. Quanto ao Minho, isso é uma piada não é? Se não se ouve Portugal, quanto mais uma região de Portugal, essa foi gira.</p>
<blockquote><p>Honro-me de integrar a lista do PSD, liderada pelo Dr. Paulo Rangel. Depois de eleito, serei a voz do Minho na Europa. Cumprirei.</p>
<p>Com o mesmo espírito, a mesma determinação e a mesma humildade, manterei forte a ligação ao conselho de Guimarães e a todas as suas instituições. Cumprirei.</p></blockquote>
<p>Por ligação leia-se que irá ligar a mulher e aos filhos todos os dias, porque enquanto o tacho na União Europeia não render, a famelga terá de se manter em terras minhotas. Não era preciso insistir tanto no <em>cumprirei</em>, não te canses mesmo que não cumpras ninguém vai dar por ela.</p>
<blockquote><p>Portugal vive uma situação política e social de grande complexidade face ao constrangimento imposto às famílias e ao bloqueio de toda a actividade económica. As políticas do Governo, ao invés de combaterem a crise, têm contribuído para que esta se aprofunde.</p>
<p>Trabalharei de modo a que os fundos comunitários sejam aproveitados, realmente, para a melhoria dos nossos equipamentos de saúde, para a defesa do ambiente, para o aproveitamento das energias renováveis e para um impulso real à agricultura.</p></blockquote>
<p>Concordo que Portugal não está nas melhores condições, mas se há alguém que deve ser culpado isso são os partidos que estiveram no Governo durante mais anos, entre os quais o Partido Socialista, o seu partido, o PSD, e claro o CDS por ter andado a namorar o PSD nas coligações. O humor de José Manuel Fernandes é de mais, impulso real à agricultura, contratar um jardineiro para a casa não é criar um impulso real à agricultura, como se isso fosse possível lá de Bruxelas para cá.</p>
<blockquote><p>Só eu estou em posição de ser eleito para representar o nosso distrito e a nossa região.</p></blockquote>
<p>Tu, e se calhar mais uns vinte ou trinta gajos, quanto a parte do distrito e região, esqueçam, isso não vai acontecer.</p>
<p>A minha proposta é que da próxima vez que fizerem isto, por favor, e repito, por favor, façam algo mais sério e convicente, algo como isto:</p>
<blockquote><p>Caro(a) eleitor</p>
<p>Por vontade de eleitores que só existem na minha cabeça, exerci vários cargos políticos.</p>
<p>Na realidade, só fui presidente de uma Câmara que nem me lembro onde era, ainda me lembro vagamente que foi aí para o Norte. Durante os tempos que geri o estaminé, fiz grandes obras de restruturação, como por exemplo mandei tapar os buracos na estrada com areia, isto por causa da areia ser muito mais barata que o alcatrão, e o resultado ser semelhante. Assim, em como podem ver cumpri as 24578 promessas que prometi.</p>
<p>Daqui por uns dias, estou com a possíbilidade apesar de extremamente remota de ser eleito para representar <span style="text-decoration: line-through;">o PSD</span> <span style="text-decoration: line-through;">o minho</span> o Minho, isto claro se forem meus amigos e votarem em mim, mas como vocês são uns cabrões que não ligam nenhuma as europeias, lembrem-se da minha cara que depois encontro-vos no Centro de Emprego.<br />
Honro-me de integrar a lista do PSD a corrida por um tacho mantido à pala da União Europeia, liderada por aquele sacana do Rangel, porque devia ser eu. Façam de conta que posso ser a voz do <span style="text-decoration: line-through;">minho</span> Minho na Europa. Ai de mim se não cumprirei. Cumprirei sim senhor. Cumprirei.<br />
Com o mesmo espírito de homem macho do campo, e a mesma humildade, que proventura irá passar ao fim do terceiro ordenado ganho. Contudo manterei a forte ligação telefónica que tenho com a minha mulher, porque comprar casa lá para aqueles lados sai caro, e não tenho orçamento para isso, mas tal será resolvido com o meu quinto salário. Cumprirei, senão culpem o Rangel por isso. Cumprirei.<br />
<span style="text-decoration: line-through;">O beco</span> Portugal vive uma situação de grande complexidade face aos problemas económicos. Politicamente temos o canibalismo do PSD, no qual eu é que devia ser o líder do partido e não a velha. Tudo o isto é culpa do gorverno do PS. Cumprirei.</p>
<p><span style="text-decoration: line-through;">Falando como  um comunista, a ver se saco algum voto dos nove comunas que existem no Norte.</span> Tentei a todo o custo a que os fundos comunitários fossem poupados, por isso é que quando eu era presidente da Câmara <span style="text-decoration: line-through;">de não sei onde</span>, usavamos carroças puxadas por burros e dois bêbados para a recolha do lixo. Claro, favorecer o aproveitamento dos recursos renováveis como o vinho e o caldo verde. Cumprirei.</p>
<p>Só eu estou assim mesmo desesperado para ser eleito, por favor, não sei se se lembra mas&#8230; Cumprirei.</p>
<p>Por isso, pelo empréstimo que pedi ao banco para comprar o Mercedes, vote no PSD.</p>
<p>Com estima,</p>
<p>Zé Nelinho Nandes</p></blockquote>
<p><span style="text-decoration: underline;"><em>P.S. (D.) este texto não deve ser levado a sério.</em></span></p>
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