2012: O não-Apocalipse

Por esta altura já todos fomos brindados com uma boa dose do fenómeno 2012, algum idiota certamente já vos brindou com a treta do em 2012 o mundo vai acabar. Isto claro que se aconteceu foi antes do fenómeno versão 2.0 que é o maldito filme do Roland Emmerich, mesmo cheirando-me a uma valente bosta de filme nada o irá de impedir de ser um dos grandes sucessos de bilheteira deste ano.

Li sobre isto pela primeira vez há alguns anos num livro qualquer, e isto era citado como uma brincadeira, mas que iríamos ouvir mais tarde, e o sacana do autor tinha razão, eu cá achei que não éramos estúpidos ao ponto de ligar puto a coisa. Claro, se ele estava certo, eu parvo como sempre estava errado. Pelos vistos os maias tinham uma espécie de calendário marado qualquer com 5125 5126 anos, que para eles fazia um sentido qualquer, a parte mais gira é que nenhuma civilização durou tempo suficiente para adorar tamanho calendário, mas eles lá sabem.

A parte que me interessa é a de que quem vêm a ser os maias como autoridade para este assunto? Existe alguma coisa que neste século não saibamos que os nossos adorados maias soubessem? A resposta é NÃO. Se calhar com uma excepção que é relativa as convicções e afins dos próprios maias que os conquistadores espanhóis fizeram todos os possíveis para eliminar. Isto implica que na realidade esta treta do 2012 é baseada numa especulação pseudo-arqueológica, e mesmo deste tipo muito rebuscada.

Um cenário perfeitamente realista, ou não…

A palavra rebuscada é a essência disto porque não podemos ter a certeza de quanto tempo passou desde que eles deixaram as suas grandes cidades até ao ano em que os conquistadores hispânicos chegaram as suas terras. Muita especulação foi feita sobre o porquê de terem deixado as suas cidades, as sugestões mais comuns são de que a civilização estava a colapsar sobre o próprio peso, tal levou a uma rebelião e que por fim levou ao fim da grandiosidade maias. Note-se que ainda restaram alguns maias para conhecer os espanhóis.

Outra questão interessante que tenho a dizer é sobre o próprio conceito de Apocalipse, que é um termo especial das civilizações europeias e especialmente das cristãs. Que se baseiam no facto do mundo como teve uma criação, o Génesis, e que segundo as próprias crenças, tem de ter um fim. Esse fim é o Apocalipse. Contudo assumir que os maias crêem num Apocalipse à lá cristão, é pedir de mais. Por exemplo os hindus acreditam que o universo é infinitamente velho e que por isso não teve uma génese e nem terá por consequência um fim.

Ops! Botão errado…

Na realidade pelo que pensamos que sabemos os maias pensavam que a cada 5126 anos o mundo era largamente mudado para um novo, uma espécie de reformação da coisa. Pelo que compreendo tal não quer necessariamente dizer que tem de haver um extermínio do mundo antigo por um novo. Nem que o novo será algo pós-apocalíptico. Nem que o fenómeno em si seja necessariamente “mau” nem brusco. Claro como o calendário é cíclico, ao fim de 5126 anos, volta a haver outra dose igual, e assim sucessivamente, pelo menos por um certo número de ciclos.

Mas quem está realmente pronto a apresentar tudo e mais alguma coisa sobre o assunto prevê a existência de, por exemplo, um alinhamento planetário no sistema solar. É sempre interessante e no mínimo curioso ir-se buscar “factos” astronómicos para tentar salvar uma “teoria” antes que esta caía. Contudo, já tivemos milhentos quase alinhamentos e que nunca deram problemas, tendo sido um na década de 90. Contudo um alinhamento perfeito é praticamente impossível de acontecer durante o tempo de vida do sistema solar, e não está previsto cientificamente nenhum para 2012.

Em 2012 os terráqueos foram exterminados por um asteróide que expressava emoções humanas.

Contudo há quem seja ainda mais original. Não vamos ter um alinhamento planetário, mas a Terra e o Sol estarão alinhados com o centro da galáxia. Cuidado vamos ter a Terra alinhada com o “buraco negro” que existe no centro da galáxia. Alguns devem estar-se a perguntar o porquê das aspas, a razão é simples, e isto sim é um facto cientifico e real: ainda não sabemos o que existe no centro da galáxia. As evidências mostram-no como sendo um buraco negro, e neste momento apresenta-se como um facto, só que a forma como este objecto funciona ainda é puramente teórica.

Existem alternativas científicas para o buraco negro, lá porque a maioria dos físicos acham que é um buraco negro isso não o torna realidade. Assumindo que realmente temos um buraco negro no centro da galáxia, que corobora com a noção do monstro comedor de mundos, de tudo e de todos. A distância a que estamos dele é coisa de 26 mil anos-luz. E considerar que existe qualquer risco nisto é pura estupidez. Porque existe bastante material entre nós e o dito buraco negro, e além disso temos um alinhamento destes todos os anos, e ainda estamos para ser “engolidos”…

Nós fomos avisados.

E por esta altura está na hora de citar a Wikipédia porque tem aqui um parágrafo muito interessante:

The present-day Maya, as a whole, do not attach much significance to 2012. Although the calendar round is still used by some Maya tribes in the Guatemalan highlands, the Long Count was strictly employed by the classic Maya, and was only recently rediscovered by archaeologists. Mayan elder Apolinario Chile Pixtun and Mexican archaeologist Guillermo Bernal both note that “apocalypse” is a Western concept that has little or nothing to do with Mayan beliefs. Bernal believes that such ideas have been foisted on the Maya by Westerners because their own myths are “exhausted”.

Existem duas versões que derivam do calendário maia. Um em que o fim do mundo é em 21 de Dezembro e outro que é em 23 do mesmo mês. Agora vamos lá ao 21 de Dezembro por ser a data mais aceite, é que se ninguém reparou é a data do Solstício de Inverno no hemisfério norte. Escuso de dizer que é uma data importante para muitas crenças antigas. E como podemos ver estamos no mesmo patamar que há milénios atrás, em que queremos continuar a celebrar o Solstício, como faziam os Homens que viviam nas cavernas que tinham medo que o céu lhes caísse em cima.

Não devíamos já ter aprendido a lição? Tudo o que tentamos predizer falha quase sempre. O mundo ia acabar no primeiro milénio depois de Cristo. E um milénio depois a mesma coisa. A diferença é que agora temos uma data toda cagona 21/12/2012 para o novo “Apocalipse”, e na verdade, como é costume não vai acontecer nada. Tanto é que pretendo escrever alguma coisa sobre o assunto, nem que seja para lembrar lá para 2013 ou no dia 22 do 12 de 2012, porque tudo estará como está hoje, bem talvez não literalmente…. Se querem evitar o único Apocalipse que nos pode realmente acontecer está na hora de preservar as condições do planeta, caso contrário estamos arrumados. Se não o fizermos o “profeta” Al Gore vai fazer o favor de nos lembrar que fomos avisados.


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