O Desenho Económico
Estou de volta, e também estou de volta com os meus amáveis posts sobre criacionismo. Pelos vistos os amigos do John Hartnett e do nosso sempre querido Kent Hovind trabalham bem e nunca decepcionam nas suas pseudo-teorias. E ao fim de um dado tempo lá arranjam uma boa dose de non-sense a volta de uma destas “hipóteses científicas”. Hoje voltamos ao Desenho Inteligente.
Esta parte de um dos temas essenciais para quem já ouviu falar na teoria da evolução, os órgãos homólogos. Para quem não sabe o que são órgãos homólogos digamos que são órgãos de diferentes seres que têm características semelhantes, mas podem ter funções diferentes, e a explicação para isso é de que provêm de um ancestral comum, claro que para aceitar isto têm de ser uns daqueles hereges do pior que acreditam no Darwin, como por exemplo, eu. Existem centenas de exemplos, mas o melhor é mesmo dar uma vista de olhos a uma imagem que roubei a Wikipédia inglesa:
O pesadelo do criacionista, este antes de se deitar olha para debaixo da cama para ver se não está lá nenhum órgão homólogo.
O meu exemplo favorito, e que alguns de vocês já devem conhecer é a existência de um osso, a Pélvis, nas baleias. Neste caso trata-se de um órgão homologo, mas totalmente inútil para a baleia, e por isso designa-se de órgão vestigial. Ainda existem casos de órgãos análogos, que são diferentes dos outros, e que são por exemplo as asas de um morcego e de uma ave. A diferença é que apesar de os órgãos terem funções iguais provêm de origens diferentes, ou seja as aves descendem dos dinossauros que são praticamente répteis, por outro lado os morcegos descendem de mamíferos, daí que os órgãos não sejam semelhantes.
A questão desta vez tem foco em especial nos órgãos vestigiais e homólogos em que os nossos adorados defensores do desenho inteligente mostram que são resultado de algo a que chamaram de desenho económico. Por outras palavras Deus, o ser omnipotente e omnipresente senhor de tudo e mais alguma coisa e, claro, desenhador-mor. É forçado a usar uma série de modelos criados por ele, mas que talvez por compaixão ou alguma forma de nostalgia não lhes pode remover partes que já não lhes convém, como a pélvis na baleia, e por isso deixa-os lá.
A analogia feita por estes é que em certos casos na indústria, os seres humanos fazem uso intensivo deste tal de desenho económico. O que não deixa de ser verdade, contudo os seres humanos nestes casos dependem de algo, que é a economia, e por isso por vezes são forçados a criar produtos baseados nesse princípio. Ainda assim, não me recordo de nenhum caso em que se tenha feito algo relativo a isto num produto em que este tivesse uma característica que lhe fosse totalmente inútil. Agora, afirmar que Deus está limitado da mesma forma que os humanos, é no mínimo decepcionante para estes nossos amigos, sempre esperei que fosse minimamente superior…









