O lado negro da Lua
O sonho soviético da exploração espacial tornou-se realidade com o Sputnik 1 em 1957. Foi o primeiro satélite humano a orbitar a Terra, foi também uma dor de cú para os americanos que os levou a iniciar uma corrida espacial. O prémio máximo dessa corrida foi a Lua. A magia que ficou com o Sputnik é bem maior do que possa parecer, o rudimentar satélite russo mostrou que era possível e rentável usarem-se máquinas para a exploração espacial.
Como é obvio a União Soviética não se deixou ficar em lançar um satélite, para competirem com os americanos que começavam a investir ferozmente no desenvolvimento do seu programa espacial, chegara a hora de olhar para a lua da Terra, o corpo celeste mais próximo da Terra. A nível astronómico a distância que teriam de percorrer as novas sondas era insignificante, contudo para a tecnologia da época era um salto maior do que as pernas podiam proporcionar.
Bip, Bip, Bip.
Sputnik 1
Quase um ano após o lançamento do primeiro Sputnik, havia nascido o programa Luna. Não começou bem visto que as três primeiras sondas do programa falharam os objectivos pretendidos. Mas isso fora até ao segundo dia de Janeiro de 1959, em que a Luna 1 Mechta (Sonho) foi lançada. Acabou por ser o primeiro satélite humano a aproximar-se da Lua, a uma distância de “uns meros” 6 mil Quilómetros. A Luna 1 acabou por aí, continua ainda hoje a orbitar o Sol.
Em Setembro do mesmo ano, depois de uma série modificações no satélite e na missão em si a Luna 2 foi o primeiro objecto humano a chegar a Lua. Quase 34 horas depois do ínicio da missão, e conforme fora planeado, embateu na superfície lunar. A Lua devido ao facto de ter os períodos de rotação e translação iguais, apresenta sempre a mesma “face” para a Terra. Ninguém imaginava aquilo que existia “por trás” daquilo que sempre se observou. Apareceram especulações fantásticas, desde a existência de seres extraterrestres que lá habitariam.
Toda esta pintura fantástica de vida extraterrestre foi por água abaixo quando a Luna 3 orbitou a Lua, e apresentou as primeiras imagens da cara desconhecida da Lua. O que encontrou foi “mais do mesmo”, muito decepcionante para todos os que esperavam ver homenzinhos verdes.
Este lado também recebeu o nome de “O lado negro da Lua”, na realidade recebe mais luz que aquele que está voltado para nós visto que nunca é eclipsado. O termo também foi usado pelos Pink Floyd no seu álbum de 1973, o The Dark Side of the Moon. Digamos que “tropecei” nele há um par de dias. A capa do álbum é simplesmente o mais memorável dos covers – sim, nem o The Wall é assim tão original (se bem que não fique muito atrás).
Peguei no disco de vinil e meti a aparelhagem a funcionar. Ela devia estar num estado de “quase reforma” há já alguns anitos. Leu o disco sem problemas, se bem que me posso dar ao luxo dele ainda se encontrar bem estimado. Gostei do que ouvi, e especialmente os excelentes sons experimentais. Ao ouvir o álbum foi quase como voltar a conhecer música pela primeira vez, é o melhor álbum que já ouvi, e claro os Floyd subiram ainda mais na minha consideração.
Apesar dos soviéticos terem sido os primeiros em muita coisa, como o primeiro homem a orbitar a Terra – o Yuri Gagarin, a bordo do Vostok 1 – e o primeiro animal – a cadela Laika. Os americanos ganharam a corrida em 1969 quando Neil Armstrong e “Buzz” Aldrin foram os primeiros a caminhar sobre a Lua. O The Dark Side of The Moon foi o terceiro álbum mais vendido de sempre.









