10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte
Tenho primeiro a dizer que sou um daqueles gajos que acha que a discografia portuguesa toda, exceptuando dois ou três discos, sendo um deles este, deveria ser levada para um alto forno e derretida para o esquecimento. O título do post é o título de um álbum de rock progressivo lançado em 1978, pelo José Cid. Sim, o José Cid, o homem que acabou com uma associação obscura com bananas e macacos.
Dei com isto por mero acaso, e reparo agora que algumas das minhas descobertas musicais só acontecem por acaso, e se não fizesse o que fiz nunca ouviria o que ouço actualmente. Desta vez devo-o ao Lastfm. Ou melhor, tudo começou algumas horas antes quando estava com um gajo a comparar artistas, e um leva a outro, e em coisa de meia hora estávamos a comparar os artistas portugueses.
Quando voltei a casa, e por não ter mais nada para fazer, continuei a fazer aquilo, não me recordo muito bem a ordem, só sei que acabei por ver a página do Zé Cid. E ainda mais inexplicável foi ter tido a curiosidade de ver os álbuns dele, coisa que não havia feito com os que vira anteriormente. Foi aí que encontrei o dito álbum, e nem imagino a cara que fiz quando carreguei nele e nas tags lia perfeitamente “progressive rock”.

Se não fosse por esta cover, provavelmente não o tinha descoberto.
Aposto que se houve uma altura em que as minhas sinapses cerebrais começaram a tripar e a cometer uma orgia em massa, foi aí. Foi como um avistamento de um unicórnio cor-de-rosa invisível. Eu como qualquer um só tinha ouvido dele aquelas músicas cidianas, que… bem não são assim tão brilhantes. Fui ver as faixas e acabei no Youtube a ouvi-las, e sim podem ouvir todo o álbum lá.
Para minha surpresa extra, o álbum até não é mau, e para ser honesto é bom. Teclados e sintetizadores por tudo quanto é sítio, mas não me importo nada, pelo contrário, e mesmo com isto o guitarrista ainda teve espaço para uns solos. Parte ainda mais interessante é que é uma Opera de Rock, muito mais reduzida que outras como a Subterranea (IQ), The Wall (Pink Floyd), Tommy (The Who) ou The Lamb Lies Down on Broadway (Genesis) que são duplos álbuns, e esta tem só 40 minutos. O que em certa medida facilita a compreensão da história. E por falar em história, trata-se de uma fuga de uma Terra apocalíptica e de um regresso a uma Terra novamente virgem. Para quem tiver dificuldades em compreender a história, dentro do livrinho que vem com o CD tem imagens para facilitar ainda mais a sequência de acontecimentos.
Os vocais encaixam bem dentro do estilo, e as letras não são propriamente fenomenais, mas comparando com o resto do que se faz por cá, nem me atrevo a reclamar. Tenho lido por aí algumas coisas interessantes, como a referência a página respectiva disto no Progarchives, em que está-lhe atribuído a cotação de 5 estrelas. Isto é uma treta, primeiro porque muito mais de metade das 5 estrelas dadas, aposto que foram por portugueses, só para dar melhor aspecto a isto. Dentro do estilo do progarchives, 4 estrelas é perfeitamente justo, e muito bom.
De qualquer das formas andava a procura de um trabalho conceptual deste género há algum tempo, e o choque foi ter saído do José Cid. Pelos vistos não sei o que se passou, mas tenho a impressão que ele deve ter ficado chateado quando lançou isto, e ninguém reparou. Ainda para adicionar a lista das decepções, esta obra, pelos vistos, é mais conhecida fora de Portugal do que dentro dele. Muito pior ainda foi nunca ninguém me ter dito que tal coisa existia.
Já não tenho grande coisa para dizer, tratem de ir ouvir, é bom material para os ouvidos. O José Cid fez o trabalho de pianos, sintetizadores, melotrons, etc. O Zé Nabo, é o guitarrista e baixista, e portou-se muito bem. Mike Sargeant, creio que só contribuiu com a guitarra na segunda faixa, “O Caos”. Ramon Galarza é o homem da bateria, e que também fez um bom trabalho, que ao contrário da maioria dos bateristas pop/rock não violou a música com a percussão.









É pena ( autor do artigo ) que só tivesse conhecido este album recentemente, pois eu já o conheço á bastante tempo ( anos ), feliszmente tive a oportunidade de falar com o José Cid acerca deste album, pois não o encontrava e ele mesmo fez-me uma cópia nos estudios dele na quinta. Quanto a ele ter ficado chateado por ter feito este album, em vez de andar a pastar coisas que não sabe pergunte-lhe. Este album, o seu grande sucesso foi no Japão onde o Vinil é pago ao preço que nem o o José cid alguma vez imaginaria. è dos album que se ouve sem cançar ao passo que muitos que por aí andam com uma maquina publicitária po de trás vendem como xuxas e não valem nada.
É sem dúvida um grande Álbum. Foi considerado pela Billboard como um dos 100 melhores álbuns de rock progressivo do século.
Procura por tantra também é muito bom
@okapi
Eu não disse que ele ficou chateado por ter feito o álbum, penso que tenha ficado lixado por ninguém o comprar/ouvir ou sequer notar que foi feito. Mas também compreendo que se tivesse continuado a fazer material deste género, tinha morrido a fome. Quanto ao preço dos LP no Japão parece que anda na casa dos 4 mil euros o disco… eu comprei o CD por 10 euros…
@Hélder Pinheiro
Uma coisa de cada vez, por agora tenho muito material novo para ouvir, enquanto não me chatear fico-me por aqui, e quanto aos Tantra, acho que já vi o nome deles algures relacionado com este álbum, logo se vê
sugiro: http://www.youtube.com/watch?v=J-qtewC2yzA
Mais vale tarde que nunca… vale a pena ouvir também o EP “Vida – Sons do Quotidiano” lançado antes do “10000 Anos…” e que mais tarde acabou por ser incluido na re-edição norte americana do “10000…” e mais recentemente até teve direito a edição limitada em formato mini lp sleeve na Coreia do Sul.
Dentro do estilo aconselho outros álbuns portugueses que são do melhor que já se fez por cá:
Tantra – Holocausto
Quarteto 1111 – Onde Quando Como Porque – Cantamos Pessoas Vivas
Carlos Alberto Vidal – Changri-La
Petrus Castrus – Mestre
Ora viva!
Eu tenho este álbum em vinil – FIRST ISSUE. E quero te recomendar outro álbum do género, também uma “Rock Opera” que é : Quarteto 1111 – Onde, Quando, Como, Porque, Cantamos Pessoas vivas
Que também é uma banda de José Cid.
Viva
Sou um dos felizardos que possue um exemplar desde que saiu em vinil, e há coisa de um ano tive a felicidade de o mostrar ao José Cid que mo autografou o que me deixou muito satisfeito, já que sou um seguidor dele desde sempre e ainda tive a possibilidade de organizar um baile de finalistas com a banda Cid, Scarpa, Carrapa e Nabo.
Bons Tempos