Black Ice

No Domingo fui levar o meu pai ao Aeroporto, neste caso ao Sá Carneiro, e será que sou o único a achar uma relação quase masoquista estranha entre o nome deste senhor e aviões? Bem, também não importa, o que importa é que no caminho estava a tocar no carro este disco dos AC/DC. Eu sei que já falei nele, muito vagamente, diga-se.

Antes de mais admito que os AC/DC não são tão grandiosos quanto isso, mas de vez em quando não me importo, e isto sou eu a eufemizar, de meter um disco ou pelo menos ouvir umas poucas de músicas deles. Toda a gente já ouviu estes gajos, existe uma boa dose de material deles a andar por filmes e pela rádio, mas como muitos outros um gajo não sabe quem são até tropeçar neles.

Como tropecei neles? Foi há coisa de 2 anos atrás, quando segui por este post do Bruno Miguel, e aterrei no paraíso do lado feminino de qualquer macho. É um daqueles sites parvos com muitos, e deixem-me realçar, muitos mesmo, quizes, alguns estúpidos que se fartam, mas altamente viciantes. Já sabem como é, um gajo faz um, e aparece outro para se fazer e chega-se a ter uns 50 separador com quizes. O tempo que passei no dito site esteve entre os momentos mais amaricados que tive.

Lembro-me de ter chegado a um tal quiz sobre qual tua música favorita. E para vos situar, na altura a minha cultura musical era uma lástima, não que seja nada de mestre actualmente, essencialmente ouvia pop e semelhantes, e somente aqueles singles que têm uma musicalidade que um gajo só aguenta coisa de uma semana no máximo, e que depois nunca mais quer ouvir, a maioria que se faz agora é deste género. E pasmem-se, cheguei a ouvir coisas como a Madonna. Sim, leram bem. Por isso: Shame on me. O resultado que saiu foi Back in Black – AC/DC. Fui logo direitinho que nem um fuso ao Youtube para ver o que era.

Um Disco e uma Banda para machos com os tímpanos parcialmente danificados.

Obviamente que já a conhecia, mas penso que não a tinha ouvido na totalidade, tanto não fosse ouvir a parte inicial da música como intro para o segmento apresentado pelo Lewis Black no Dailyshow, intitulado também de  Black in Black. Apesar de ainda estar para perceber o que raio tem de decente os berros do Brian Johnson, gosto daquilo, de certa forma encaixa na música. Claro que antes dele tinham o Bon Scott, que morreu em 1980, e aí é que o Johnson entra para a banda. Estranhamente nunca gostei muito do Bon Scott, o gajo tinha uma voz cuja a única palavra que a tenho de descrever é Whisky, não no sentido errado, mas as músicas no tempo dele eram mais leves. Para uns isso é bom, mas eu tenho alguns gostos esquisitos, prefiro-os a partir de 1980, não que não hajam algumas músicas bem interessantes antes disso, e em especial o último álbum com o Bon Scott: Highway to Hell.

Mas também não gosto dos gajos assim tanto, só existem três álbuns que aceito ouvir deles: Back in Black de 1980, The Razor’s Edge de 1990, e o Black Ice de 2008. O que está por entre estes, limito-me a tentar esquecer-me deles, em alguns a voz do Brian está de tal forma “grífica” (uma palavra acabei de inventar) que um gajo nem percebe o que ele está a berrar ao microfone. Obviamente o que importa para aqui é o Black Ice de 2008.

Comprei-o pouco depois de ter saído, e foi surpreendentemente bom, é o único álbum deles que um gajo consegue bem ouvir do início ao fim sem ter de saltar alguma música. Avisa-se que eles não inovaram nada neste disco, é a fórmula do costume, ainda assim tem alguns dos melhores vocais do Brian Johnson, pelos vistos a única coisa de boa que lhe tem acontecido ao ficar mais velho é berrar menos.

Fora disso é o típico, uma bateria que lá vai dando as suas pontadas na música, guitarradas a bruta e letras que não fazem sequer uma ponta de sentido mas que tem uma vertente sempre à machão. O álbum começa com um bom single, que ocasionalmente ainda anda pelas rádios, o Rock ‘n’ Roll Train. Algumas músicas relativamente boas, como por exemplo Skies on Fire, Stormy May Day, Rock ‘n’ Roll Dream e a que partilha o título do álbum Black Ice.

Há uns tempos perdi uns momentos de volta do Youtube a ver uma entrevista que os gajos deram sobre o último álbum e a tour que se lhe seguiu. E tenho a dizer que para não desapontar, estragaram tudo como é costume. Primeiro não percebi porque só meteram o Angus Young (o maluquinho da guitarra) e o Brian Johnson (que surpreendentemente consegue falar normalmente), e também não percebi porque os gajos fumaram toda a entre vista. E em sequência disto tenho uma mensagem para o senhor Johnson que é: Deixa de fumar meu idiota, é que com o serviço que andas a fazer ao vivo (para quem não sabe, canta ainda pior que em estúdio) andas mesmo a ver se o pessoal deixa de te perceber totalmente.

Obviamente, se o Brian não é muito brilhante, então vi aquilo mal parado quando a tipa começou a puxar pelo guitarrista, e pelos vistos um dos principais letristas, e também não decepcionando, e como se podia medir pela qualidade das letras, ele devia limitar-se a guitarra, mas não. Ela pergunta qualquer coisa do género o que acham do pessoal dizer que vocês tocam sempre a mesma merda. Aí ele diz que quando temos uma boa receita deve-se mantê-la. Olha, ó Angus, uma coisa que tenho a dizer é que a gente já sabia isso, e só lhes estás a dar razão, da próxima vez que to perguntarem, mente. Inventa qualquer coisa, nem que seja dizer que a inspiração é diferente, sei lá, até que com uma música mais pesada têm de fazer as coisas diferentes.

Bem, em resumo eu até devo qualquer coisa a estes gajos, foram eles de me meteram a ouvir álbuns. Ao fim de uns meses seguidos a comer AC/DC a torto e a direito, senti que devia ir ao youtube procurar qualquer coisa nova, tentei os Led Zeppelin, sem conhecer uma música deles. O Youtube bem mandado serviu-me com o Starway to Heaven, e tenho a dizer que para os meus ouvidos saturados de AC/DC aquela música não ajudou, é que passar da “Auto-Estrada para o Inferno” para a “Escadaria para o Paraíso”, simplesmente não funciona. Achei a música chata, ainda não lhe dou grande valor, e no lado direito lá vi algo que me despertou interesse “Wish You Were Here – Pink Floyd“.

Até a data só tinha ouvido dos Floyd as três partes do Another Brick in the Wall, mas aquela música mudou qualquer coisa na minha tola. Um gajo a ouvir guitarradas pesadas e com letras non-sense cantadas a berro, ao ouvir aquela música quase totalmente acústica com a voz do Gilmour e umas letras excelentes, que faziam sentido, e realmente fazem, independentemente de saberem do Syd Barrett ou não. Devo-a ter ouvido umas cinquenta vezes seguidas, e lá meti outra deles, desta vez a Time, ainda a minha favorita, mas tocada ao vivo na Tour do The Divison Bell, e desta vez fiquei convencido, meti os AC/DC de lado e durante bastantes meses nem lhes toquei. Isto acabou por culminar quando dei com o vinil do The Dark Side of the Moon, apesar de ter estranhado os psicadelismos do disco, foi uma espécie de amor a primeira audição.


Bookmark and Share