O machismo é uma coisa de homens?

Quando estava no nono ano, uma aula foi interrompida por umas representantes de um grupo de femininistas. Esse ano foi avultado no que toca a interrupções de aulas, pelas mais diversas razões. Algumas mas e as outras inúteis como esta que vou falar. O primeiro aspecto que tenho de salientar é que todos éramos machistas, admitidos ou não, uns mais outros menos. A primeira coisa que ocorre é que quando elas chegam e se apresentam como umas representantes do não-sei-quê a palavra femininista passou pela cabeça de todos.

No momento inicial nós os rapazes estávamo-nos a rir todos inchados a pensar algo do género: olha me estas vêm-nos dar música. Então começam com um discurso muito bonito que não me recordo muito bem – nós todos mandávamos bocas, algumas altas outras baixas – quase todas as palavras que saiam da boca das femininistas eram seguidas de riso. Ao fim de uma meia hora de paleio estragado obrigaram-nos a fazer um inquérito rápido ao estilo escolha múltipla. Tinha perguntas do género qual dos sexos está mais apto para fazer o trabalho de trolha ou de cabeleireiro. Entre nós correu baixinho um plano simples: vamos ser o mais machistas possível.

Lá recolheram os papeis contaram as votações e dizem algo do género: Esta turma é uma cambada de machistas. Penso cá para mim – Estavas a espera do quê? De uma cambada de maricas? – contudo as palavras dela tiveram um efeito estranho – pelo menos no meu entender – as raparigas incharam e os rapazes desincharam. Continuando a falar ela diz que toda a gente disse que uma mulher não estava apta para ser trolha e por aí tudo perfeitamente machista. As raparigas incharam ainda mais. Mas pensei para mim: O que é que esta merda tem de especial? Não fomos só nós… – e o raio da representante completou o meu pensamento quase no momento perfeito, dizendo: Isto é triste, porque isto prova que as raparigas também são muito machistas, pois não foram só os rapazes que votaram.

Eis que metade descobre a pólvora e o efeito volta a contrariar, elas desincham e encolhem-se e os nós inchamos outra vez. Esta treta toda foi para dizer que primeiro: Se as mulheres querem tanto igualdade têm de começar por elas. Segundo: Os homens nunca vos vão entregar o mundo de bandeja.


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