Como é costume no início destes posts apimentados de ódio e de ideologia política incorrecta gosto de referir a minha musa inspiradora, sim musa, uma pequena homenagem ao Camões, que percebi que não se limitou a fazer uma exaltação aos feitos portugueses, mas incluiu algumas críticas bem construtivas, e por isso já é um gajo fixe. E esperem um post com alguma dose de eufemismos e um cuidado de escrita acima do que me é comum, porque não escrevo há algum tempo e por isso desafinei, por um lado para melhor por outro só para estragar.
A dita musa desta vez foi a rubrica, chamemos-lhe assim, intitulada de Conversas de rua do jornal O Comércio de Guimarães. A pergunta feita as pessoas, neste caso, supostamente todos alunos do secundário, foi a que deixei no título do post. Antes de mais, não é costume eu sequer pegar neste jornal, e a única coisa que sou capaz de ver é realmente esta rubrica, a parte curiosa é que quase sempre discordo com a opinião que é dada pelas cinco pessoas “entrevistadas”, na verdade costuma ser uma opinião repetida cinco vezes. Que das duas uma ou é culpa do jornal ou da originalidade da mentalidade dos transeuntes. Para não decepcionar discordo novamente.
Andei a ver pela Internet, e pelos vistos este tema vem a propósito de um pedido dos professores para uma revisão urgente do estatuto do aluno, pelo menos é o que diz o Jornal do Belmiro. Antes que levem a mal, não acho o Público assim tão mau, e surpreendentemente até simpatizo com o senhor Belmiro de Azevedo. Adiante, pelos vistos os professores estão tão queimados que já se vêem a rasca para aguentar os alunos, e o objectivo é retirar alguns dos privilégios destes e tentar encostá-los a parede, por outras palavras impor ordem com a lei. Mas aqui para nós desconfio que não é assim que se vai lá. Por outro lado, compreendo o que estão a tentar fazer.
A parte super gira disto tudo vem aí. Lembram-se dos cinco magníficos entrevistados? Pois bem, todos eles concordam com a revisão do estatuto. O problema é que concordam pelas razões erradas. Deixem-me explicar, os professores querem apertar os alunos porque acham que estes se andam a baldar demasiado e ficar muito desobedientes, nada que seja mentira diga-se de passagem. Os alunos querem a revisão do estatuto para que fiquem ainda mais livres e façam o mínimo possível, o que não fica muito longe do que já fazem.
Existe aqui um problema de interpretação, algo extremamente comum, e que nem me admira nada. E claro, estamos a falar do sistema de ensino, aquele grande mal que está sempre mal e que nunca deixa de estar mal. E que faça-se o que se fizer funciona mal, e nunca irá funcionar bem, porque toda a gente acha que funciona mal mas ninguém acha coisa nenhuma porque ninguém diz porque acha que funciona mal. Simplesmente acham que funciona mal, e pronto. Mas digam-lá qual é o grande problema. Sim, admito que não é perfeito, mas lá vai funcionando, e sejamos honestos para estragar mais vale estar quietos, o que importa é funcionar, certo? Obviamente, que convém com o tempo modernizar a coisa e adicionar-lhe umas quantas modificações.
A opinião geral destes alunos, e que não é propriamente generalizada por mim, é a seguinte:
Acho muito bem que seja revisto porque aquilo que temos agora é uma valente trampa. Se um gajo faz desporto chega cansado a casa e não pode estudar, e sim eu sei que faço desporto porque quero, mas deviam facilitar. Mesmo aqueles que não fazem desporto não têm tempo para estudar, ainda pior os que fazem desporto. Os testes intermédios só servem para lixar a vida a um gajo, podem fazer-nos perder o ano. Os exames nacionais também são maus porque podem fazer-nos perder o ano. Estudar para estes é um valor extra acrescido a vida que temos, e que já é muito difícil estudar. Não é nada bom nem se deve fazer uma avaliação de tudo num dado momento, é muito mau. A gente quase nem pode dar faltas por estar doente, é injusto. As aulas de substituição também são más.
É o típico puxa a sardinha para a minha brasa antes que eu morra a fome, não que eu fosse realmente morrer a fome porque posso pedir dinheiro ao paizinho para ir comer um BigMac, e depois para a sobremesa ver o Twilight em 3D.
Primeiro, estes são pelo que topo pelas idades (entre 15 e 19 anos) alunos do secundário, e meus amigos, vem aí uma super hiper mega novidade: Vocês já não são obrigados a ir para a escola! Não gostam? Há uma solução excelente, sabem qual é? Trabalhar! Sim, claro que me podem dizer que com a crise e tal não há trabalho, e até têm alguma razão, mas penso eu, e só eu, que se calhar se os pais e filhos juntassem o dinheiro que os catraios vão gastar na escola em livros e merdas ao longo do ano, chegava para irem trabalhar para o estrangeiro.
Obviamente ninguém quer ir trabalhar, é difícil, suja as mãos e um gajo vem cansado. Mas porra, há o ordenado que sabe tão bem. Mas não queremos ser trolhas ou trabalhar num café, queremos ser todos engenheiros e trabalhar num escritório com computador com acesso premium ao porntube e a salas de chat de alta classe, e porque não a sites de apostas, como o poker. Isso é que é vida!
A mesma ordem de ideias aplica-se aos pais, que obviamente querem o melhor para os filhos e alguns só descansam quando os vêm a ser médicos, mesmo que só o consigam fazer aos cinquenta. O problema é que o sistema não pode absorver isto, simplesmente não pode, porque não foi feito para isso e como é óbvio nunca o fará, claro que existirá sempre uma taxa de desemprego, mas com o rumo das coisas por ambas as partes, isto não me parece que vá dar grande resultado.
Avante, e eis que temos o imbatível argumento do desporto. Olhem lá e é aqui que concordamos, não são obrigados a fazer desporto, certo? Se isso vos lixa assim tanto a vida, escolham: ou fazem desporto ou engordam a estudar. Não vejo o problema nisto. As escolhas têm de ser feitas para uma via ou por outra, não pode ser do género fico com as duas. Contudo eu sei perfeitamente que isto é um argumento furado e que nem faz sentido nenhum.
Agora quem não faz desporto não tem tempo de estudar, essa é boa, e a pergunta é porquê? Eu sei porquê, porque entre ver os Morangos com Açúcar ou os Ídolos e estudar álgebra a escolha é fácil, não é? Ver televisão, como é óbvio, senão que caralho é que a gente vai falar com os colegas amanhã? Coisas interessantes e úteis? Debates sérios sobre matéria viável? Fuck that shit! Bora mas é falar das telenovelas, mas só daquelas que são In, as outras que a gente vem com a mamã é melhor não se dizer uma palavra, não vá ficar mal na pintura.
Vamos então a questão dos testes intermédios, que por acaso e pasmem-se comigo: São uma boa ideia! Surpreendente um gajo poder dizer tamanha heresia, não é? Mas é verdade, para quem não sabe, os testes intermédios são testes feitos a determinadas disciplinas, como a Matemática, e disciplinas específicas como por exemplo Física e Química ou Biologia e Geologia. Que são feitos em Lisboa pelo Ministério da Educação, baseados no programa que é suposto os alunos saberem, e que deveriam ser feitos em todas as escolas como se fossem um exame nacional, ou seja tudo a mesma hora.
Na realidade este é teoricamente o teste perfeitamente justo, porque toda a gente o faria ao mesmo tempo e como é igual, as oportunidades são iguais para todos. Na realidade isto não acontece, porque algumas escolas optam por não o fazer, sim na realidade é uma opção da escola, por isso vão mas é reclamar a escola. Ou porque os professores não são lá grande coisa e não ensinam bem a matéria. Ou o caso que ninguém quer admitir, que é os alunos não estudarem ou não quererem saber da matéria nas aulas e depois choramingarem por tirarem más notas.
Duvido muito que um teste mau, ou dois ou mesmo três vos faça perder o ano, os professores de hoje são tão moles que não vos lixam a vida a menos que queiram, mas a solução é simples, apliquem-se. Só que claro, isso é trabalhoso, e não vá um gajo estragar-se com o esforço, pode borrar as calças se fizer demasiado, e calças borradas não é nada cool, e é uma das coisas que não se pode mostrar a malta.
Os exames novamente são uma coisa excelente porque permitem manter controlo sobre as escolas, obrigam a que se dê o programa/matéria e como é igual para toda a gente é justo. De outra forma seria fácil uma escola parecer bem por aprovar muitos alunos, mesmo que estes não soubessem porra nenhuma. Os testes intermédios também são bons por causa dos exames nacionais, permitem que se preparem para o exame que irão fazer, e se habituem ao tipo de prova.
O que estes gajos todos querem é isenção de avaliação, toda a gente tira a nota máxima, vão todos para altos cargos e toda gente fica feliz. Felizmente isto não acontece, existem períodos de avaliação para ver quem é capaz de fazer alguma coisa, ou a diferença entre quem é bom aluno e quem é mau aluno. A avaliação é essencial, não tentem fugir com o cu a seringa ou tapar o Sol com a peneira.
Quase no fim disto, vamos lá a questão das faltas. Primeiro, e honestamente não acho que exista aluno algum que precise de dar tantas faltas quanto isso. Segundo é uma boa maneira para evitarem baldar-se. Quanto a questão da doença, se precisam de ficar assim tantas vezes doentes, existe uma coisa que se dá nas aulas de Biologia que é a Selecção Natural cujo autor é aquele gajo barbudo chamado Darwin, e segundo ele se ficam tanto tempo doentes não são grandes exemplos a seguir na espécie. E se não fossem humanos por esta altura a natureza da selecção já tinham arrumado convosco. Não existe razão nenhum para atrasar as coisas a conta disto, as necessidades da maioria a frente das dos poucos.
Por fim mesmo que seja por doença os testes não irão aparecer assim do nada, os professores, esses bichos tão maus como as cobras, são até capazes de dar umas aulas extra aos alunos para os prepararem para fazer o tal teste. Na verdade esta avaliação é só para ver se andam ao ritmo dos outros. Agora expliquem onde está o problema disto.
Por fim, e excepcionalmente quanto as aulas de substituição até têm alguma razão. Alguma, na parte em que aquilo não serve para fazer nada. Mas já pensaram que talvez não seja para se fazer nada? Deixem-me explicar, em parte os vossos pais gostam que vão para a escola para não vos aturar. E estes ficam muito mais descansados se ficarem dentro de uma sala de aula com um adulto a supervisionar as coisas do que lá fora a asneirar. A este propósito as aulas de substituição são um sucesso…
Agora vem a parte irónica disto tudo, em que eu faço uma pequena confissão, e desta vez é a seguinte, como aluno sou bastante medíocre. Não tiro grandes notas, mas não culpo o sistema de ensino por isso, não faz sentido, se no básico não se pode criticar porque um gajo não sabe o que diz, no secundário não pode criticar porque além de continuar a não se saber o que se diz, não se é obrigado a lá estar. Mais, apesar de ser irresponsável ao ponto de muito raramente fazer trabalhos de casa, uma analogia quase digna é como ver um unicórnio cor-de-rosa invisível, e nunca entregar papeis a horas. Pasmem-se se vos disser que nunca adormeci, nem perdi um autocarro. Quanto a chegar atrasado, só por raro descuido, e podem-se contar as vezes pelos dedos das mãos de uma pessoa.
Mas este é o típico problema português. E todo o problema de Portugal e dos portugueses tem uma solução, e que todos sabemos qual é. O nome dessa solução é Salazar. Especialmente a educação, até metemos o Hermano Saraiva novamente a Ministro da Educação, toca a aproveitar enquanto há tempo.
Ouvi há dias na rádio que Portugal é dos países mais insatisfeitos com a Democracia. Isto quer dizer dizer que não gostam? Pois bem, então venha daí o Fascismo de volta, acreditem é bom, o tuga só anda bem a levar marretada dos superiores, por isso venha ele. “No tempo de Salazar é que era…” ou “O Salazar, digam o que disserem, até era um grande homem.” são frases típicas do português democraticamente frustrado. O homem até ganhou o título de melhor português de sempre.
O que se quer é que Deus, a Pátria e a Austeridade se concentrem todas numa só pessoa, isso já aconteceu, o Messias de Portugal foi grande António de Oliveira Salazar. E aquele maricas do Marcelo Caetano que o substituiu era um fraco, até era gajo para ser gay. O Salazar é que era homem! Infelizmente teve uma morte horrenda nas mãos daquela maldita cadeira que condenou o destino do país, da moral e dos portugueses. Aproveitando esta desgraça apareceram esses liberais e comunistas de um cabrão que foderam tudo. Está na altura de ir buscar as pás, vamos desenterrar o Salvador da Pátria!
Na realidade não iria adiantar de muito. Salazar morreu a 27 de Julho de 1970. Negro dia para o país de Camões. Contudo não há razões para grandes medos, não temos Salazar mas temos o senhor PNR, o adorado pseudo-nazi-fascista José Pinto Coelho que irá retomar ponto por ponto tudo o que o adorado Salazar deixo para ser feito. Começando por expulsar tudo o que não seja do bom sangue de Afonso Henriques e fazendo mudanças importantíssimas como devolver o nome original de Ponte Salazar, aquela ponte avermelhada que agora tem um nome esquerdista. Tragam tudo de volta, que irão ver o que é bom, no que me toca se o fizerem só peço um bilhete de avião daqui para fora, ou se isto for pedir muito, sejam então umas horitas de antecedência, só o suficiente para pegar nas tralhas e saltar para o lado de lá da fronteira, longe de mim atrasar a retoma de Portugal a sua alta glória fantasiosa.